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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
Excerto!

Aproveita e lê aqui um excerto do primeiro capítulo do último livro da saga de «Memorias de Idhún», intitulada «A Hecatombe».

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«O Oráculo de Gantadd tinha ficado inabitável após ter sido arrasado pelo mar. Poderiam reconstruí-lo com um pouco de tempo e esforço, mas, enquanto isso, as sacerdotisas precisavam de outro lugar onde se alojar, e as povoações próximas também tinham sofrido as consequências da passagem de Neliam.

De modo que partiram para o bosque de Awa, para se juntarem a Ha-Din no novo Oráculo que tinha sido construído no coração da floresta.

Encontraram Alexander e as noviças terra adentro. Estavam todos a salvo, embora Ankira, a ouvinte limyati, tivesse tido um ataque de pânico quando a onda se abatera sobre o continente; desmaiara e, ao voltar a si, fechara-se num mutismo absorto.

Igara, a mensageira do Oráculo, não regressara. Pelo que sabiam, tinha chegado a alertar várias comunidades ganti, mas outras foram completamente devastadas pelo maremoto. Tempos depois confirmaram que, efectivamente, tinha sido surpreendida pelo mar durante o cumprimento da sua missão.

A passagem da deusa Neliam pelos seus domínios, os oceanos do Este, provocara muitas perdas. Centenas de pessoas tinham ficado sem casa e agora vagueavam pelos bosques de Derbhad, receosas ainda de regressar às suas casas inundadas. Os feéricos não sabiam o que fazer com eles. Em alguns casos, tinham-nos acolhido; mas em Trask-Ban, por exemplo, os refugiados não tinham sido bem recebidos.

Poucos eram os que viajavam até ao bosque de Awa, que ficava demasiado longe de Gantadd para ser uma opção conveniente para os desalojados; mas os habitantes do Oráculo tinham-no feito. Uma vez mais, a irmã Karale ficara para trás a fim de tentar recuperar o edifício. As sacerdotisas mais voluntariosas decidiram ficar também e, das regiões do interior não atingidas pela onda, todos os dias chegava gente para ajudar na reconstrução. Alexander tê-los-ia acompanhado de boa vontade. Não sentia o menor desejo de regressar ao bosque de Awa, que lhe trazia tão más recordações. Contudo, ao ver os membros da comitiva, mudou de opinião. À frente do grupo estava Jack, e ao seu lado caminhava Victoria. Há muito tempo que Alexander não a via, e no início olhou para ela com receio. Lembrava-se bem do estado em que ela chegara a Nurgon após a suposta morte de Jack, e aquela era a última imagem que guardava dela.

Obviamente, Jack e Shail tinham-no posto ao corrente do que acontecera durante a sua ausência, e Alexander comovera-se ao saber que Victoria se tinha sacrificado a Ashran para salvar o dragão. Porém, também tinha dado a sua vida pelo shek e, depois de recuperar da sua doença, tinha fugido para a Terra com ele. Por muito que tentasse, Alexander não conseguia entender nem aprovar aquela atitude. Mas agora Victoria estava ali, com Jack, e uma confortável sensação de prazer inundou o seu coração ao contemplar o jovem casal, ao ver como tinham crescido e amadurecido e que continuavam juntos apesar de tudo. Shail também se encontrava ali: levavam-no no dorso de um paske. Estava muito fraco e tinha perdido a sua perna artificial, mas continuava vivo.

Aquilo era a Resistência. Os seus amigos. Todos juntos outra vez.

E o melhor de tudo era que não havia nem rasto do shek. Talvez Victoria tivesse finalmente recuperado o juízo, e tudo pudesse voltar a ser como antes... mas Alexander não conseguia evitar perguntar-se o que teria estado ela a fazer durante aquele tempo todo a sós com Kirtash e por que razão regressara sem ele.

Ainda assim, ao ver Jack e Victoria guiando o grupo, consolando as

sacerdotisas mais afectadas, ajudando Zaisei a cuidar de Shail, comportando- se como os heróis que deviam ser, Alexander não teve coragem para lhes virar as costas e afastar-se deles.

Gaedalu também os acompanhava. Hesitara entre ficar no Oráculo ou ir para o bosque de Awa, mas Jack convencera-a a ir com eles. Havia muito para falar, e era necessário que tanto ela como Ha-Din estivessem presentes.

As dríades, guardiãs de Awa, deixaram-nos passar. A comitiva demorara vários dias a atravessar Derbhad; muitos feéricos tinham-nos visto, e as notícias circulavam depressa.

Agora, guiados pelas dríades, avançavam pelos caminhos estreitos do bosque, caminhos que só as fadas eram capazes de encontrar. No primeiro dia encontraram o bosque tão brilhante e exuberante como sempre; mas, a partir da segunda jornada, depois de atravessarem o rio, começaram a ver os estragos causados pelos sheks na última batalha. Nalgumas zonas do bosque ainda estava frio, e as árvores tinham morrido debaixo de uma camada de geada. Victoria reparou que as dríades faziam o possível por evitar aqueles lugares, no entanto, por vezes não tinham outra hipótese senão atravessá-los. Isto queria dizer que o bosque fora mais afectado do que elas queriam dar a entender.

Era já de noite quando alcançaram o novo Oráculo. A comitiva deteve-se, impressionada.

Não se parecia com os outros Oráculos erigidos em Idhún antes da chegada dos sheks. Noutras circunstâncias, ninguém se teria lembrado de construir um Oráculo no meio do bosque; mas, durante o império de Ashran, Awa parecia o único lugar seguro, a única opção possível.

Como seria de esperar, os feéricos tinham imposto condições: todas as salas do novo Oráculo eram árvores vivas, cujos troncos, ramos e raízes se entrelaçavam para formar paredes e telhados vegetais. Na realidade, a arquitectura feérica nunca tinha enfrentado um desafio semelhante: as árvores-casa das fadas costumavam ser individuais, enquanto que o Oráculo teria de albergar muita gente e necessitaria de diferentes tipos de dependências. “Compreende-se que tenham demorado anos a construí-lo”, pensou Jack. Por muito depressa que se desenvolvessem as árvores em Awa, até os feéricos deviam ter precisado de bastante tempo para as fazer crescer de maneira a formarem aquele edifício.

A única concessão das fadas à arquitectura humana, ou, melhor dizendo, celeste, era o corpo central do edifício, coberto por uma grande cúpula. Aquela cúpula era absolutamente necessária para o Oráculo, pois era através dela que se captavam as vozes dos deuses.

“De certeza que agora prefeririam não a ter construído”, pensou Jack, com um estremecimento.

Relatara a Victoria tudo o que tinha ouvido na Sala dos Ouvintes. Por alguma razão, não havia partilhado aquela experiência com Shail nem com Alexander. O feiticeiro talvez estivesse disposto a ouvi-lo, mas ainda se sentia fraco e Jack não queria incomodá-lo. Quanto a Alexander... bem, Jack já sabia qual era a sua opinião acerca da guerra entre dragões e serpentes aladas. Não fazia sentido tentar convencê-lo a mudar de opinião.

Victoria, por sua vez, falara-lhe de Shizuko e dos sheks que se tinham refugiado no Japão, da janela interdimensional aberta por Gerde e do que tinham descoberto na biblioteca de Limbhad, graças ao livro dos unicórnios. Coincidia com o que Domivat referira ao próprio Jack.

Este também lhe contara tudo o que acontecera em Idhún durante a sua ausência. Victoria escutou, impressionada, o relato da chegada dos deuses Karevan e Neliam, da sua experiência em Nanhai, em Porto Esmeralda e na ilha de Gaeru, e sobre o que Jack tinha descoberto nas ruínas do Grande Oráculo.

– Agora que já sabes – disse –, podes dizer ao shek que é quase certo que a sua mãe se chamava Manua e era ouvinte no Grande Oráculo, onde conheceu Ashran quando este lá esteve à procura de informação sobre o sétimo deus. Sendo assim, Christian nasceu ali, nos confins de Nanhai. A sua mãe deve tê-lo levado do Oráculo depois de escutar a profecia, a que falava do regresso dos sheks pelas mãos de Ashran. Presumo que foi a única a compreender realmente as implicações dessa profecia.

Tinha visto Ashran morrer e ressuscitar dando corpo ao sétimo deus, mas é bem provável que ninguém tenha acreditado nela na altura, de modo que a sua única possibilidade foi fugir para longe com o seu bebé.

– E o que foi feito dela?

– Ashran encontrou-a na sua cabana de Alis Lithban, no dia da conjunção astral, e arrancou-lhe o filho. Possivelmente matou-a na altura, ou talvez ela tenha procurado refúgio noutro lugar. Não sei. Tentei questionar Gaedalu sobre isso, mas reagiu de forma estranha, quase com fúria.

É óbvio que conheceu Manua, e parece que a odeia. Não sei se por ser a mãe de Christian, se por ter tido uma relação com Ashran ou por algum motivo pessoal. Deu-me a entender que está morta, mas não sei se acredito nela. Posso tentar saber mais coisas. Se continuar a interrogá-la, acabará por me contar tudo o que sabe.

Victoria abanou a cabeça.

– Não é preciso – disse –, não forces as coisas. Direi a Christian quem foi a sua mãe e deixarei nas suas mãos a opção de a procurar, se ele quiser. Creio que é algo que deve ser ele a decidir.

Jack olhou-a de relance.

– Vais contar-lhe? Foi para junto de Gerde. Como sabes que voltarás a vê-lo?

– Sei que vai voltar. Ainda uso o seu anel.

Jack meneou a cabeça, preocupado. Não encaixara bem a notícia de que Christian se tinha unido a Gerde. Nem mesmo Victoria era capaz de encontrar razões que justificassem aquela conduta.

– Foi depois de termos visto através da Alma a matança levada a cabo pelos szish – recordou. – Ele afirmou: “Os szish não são assim.” Depois decidiu que devia regressar para junto de Gerde. Creio que entendeu algo que nós não conseguimos compreender.

– E não foi capaz de o partilhar contigo? – perguntou Jack, exasperado.

– Volta a mudar de lado, assim, sem nenhuma explicação?

Victoria ergueu a cabeça.

– Eu confio nele, Jack – limitou-se a dizer.

– Sim, claro – retorquiu ele. – Eu sei que consegues aceitar calmamente que ajude os sheks a conquistar a Terra, ou que vá ter com uma fada que, além de ser a sétima deusa, sempre quis seduzi-lo, continuando a confiar nele. Mas não sei se isso me basta a mim. Porque é que não é capaz de se comprometer com um lado de uma vez por todas?

Victoria fitava-o, muito séria.

– Jack, depois de tudo o que aprendemos... achas realmente que faz sentido continuar a falar de lados?

Jack não soube o que responder.

É que, em parte, Victoria tinha razão. Durante a viagem a Awa, Jack ouvira Alexander falar da Resistência, da luta contra os sheks e do Sétimo, e, embora tudo aquilo lhe fosse bastante familiar, ao mesmo tempo soava-lhe como uma canção muito distante, palavras que já não tinham nenhum significado para ele.

Só esperava que a reunião com Ha-Din lhe aclarasse um pouco as ideias. O Pai era uma pessoa aberta e conciliadora, muito mais do que Gaedalu, que, além disso, lhe parecia cada vez mais misteriosa e sinistra.

Quando viu aparecer o celeste, que saía do Oráculo para os receber com um sorriso rasgado, sentiu-se aliviado. As sacerdotisas fizeram-lhe uma breve reverência. Alexander baixou a cabeça em sinal de respeito, e Jack e Victoria imitaram-no.

– Bem-vindos, visitantes – saudou Ha-Din, ainda a sorrir. – Já passou bastante tempo desde a última vez que recebi alguns de vós aqui em Awa, e as coisas mudaram muito desde então. Fico contente por vos ver a todos de novo. Entrem; arranjaremos alojamento para todos.

Foi-lhes oferecida uma ceia leve e informal, durante a qual falaram de coisas banais. Os recém-chegados estavam cansados e desejavam ir dormir o quanto antes. Ha-Din propôs que se reunissem no dia seguinte, com a cabeça mais fresca, e todos concordaram.

No início, as sacerdotisas mostraram-se inquietas com a ideia de dormir numa sala formada por árvores vivas, mas depressa verificaram que por dentro o Oráculo apresentava tantas comodidades quanto uma casa de pedra. As camas eram fungos enormes que cresciam no próprio chão, suaves e fofos, e os lençóis que as cobriam eram feitos de largas folhas aveludadas, quentes e confortáveis. Não havia portas, mas as espessas cortinas de ramos e lianas que fechavam os acessos aos cómodos garantiam a privacidade.

O jovem noviço celeste que os guiou até aos seus aposentos acomodou Jack e Victoria no mesmo quarto, e ninguém levantou qualquer objecção.

Não voltaram a falar de Christian. Jack sentira muitas saudades de Victoria e não estava disposto a estragar aquela noite lembrando-se do shek. Quase não tinham tido intimidade nos dias anteriores e, agora que estavam por fim a sós, não pensava desperdiçar a oportunidade. Victoria, em contrapartida, tinha dado graças por aquela falta de intimidade. Também sentira saudades de Jack, mas, depois de ter passado tanto tempo com Christian em Limbhad, era estranho voltar a caminhar debaixo dos três sóis de Idhún, junto de Jack. Felizmente, não teve de lho dizer pois, quando puderam desfrutar de uma noite a sós, no Oráculo, Victoria já se tinha acostumado de novo à presença do dragão.

Porém, mais tarde, quando ele já dormia profundamente ao seu lado, Victoria continuava acordada, nos braços quentes de Jack, sentindo falta da suave frieza de Christian. Não pôde evitar perguntar-se se estaria bem.

Levou aos lábios a pedra de Shiskatchegg e viu como esta se iluminava suavemente, indicando que Christian restaurara o vínculo que havia entre os dois e que costumava cortar às vezes, para que ela tivesse privacidade quando se encontrava a sós com Jack.

            Victoria sorriu na penumbra. “Tem cuidado”, disse-lhe em silêncio. “Não faças disparates.”»
publicado por memoriasidhun às 15:17
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