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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
Entrevista d’O Círculo de Leitores à autora Laura Gallego García

Pela espada, pela magia, pela força das emoções. A fabulosa saga de aventuras criada por Laura Gallego García chega finalmente ao nosso país. Jack, o protagonista vivia uma pacata existência em Silkeborg, na Dinamarca, quando é atacado por um assassino de outra dimensão, Kirtash. Percebe então que os seus pais não eram comuns mortais mas membros da Resistência. Perseguido pelos Sheks, as serpentes aladas que agora governam Idhún, ele e Victoria, uma jovem feiticeira, lutam pelo renascer da Magia. Para isso têm de recuperar o poder dos dragões e salvar o último dos unicórnios, Lunnaris.


Senhora de prodigiosa imaginação, Laura Gallego García faz da escrita uma fuga. Fuga que nos precipita, sem que possamos recuar ou protestar, até um mundo de fadas, magos, criaturas, forças e guerras mais antigas que tempo, que o tempo manchou de lenda e esquecimento. Natural de Valência, onde nasceu no ano de 1977, a jovem escritora editou já obras como «Las Hijas de Tara» e «Crónicas de la Torre», tendo obtido por duas vezes o Prémio de Literatura Infantil El Barco de Vapor por «Finis Mundi» e «La Leyenda del Rey Errante». A trilogia que iniciou em 2003, «Memórias de Idhún», confirma-a como um dos mais sólidos valores da literatura fantástica da actualidade. «Memórias de Idhún», é constituído por três livros: A Resistência, Tríade e Panteão (a publicar). Cada um dos três livros será editado em Portugal em dois volumes. São por isso seis os livros que prometem fazer as delícias do leitor. Seguindo os passos dos destemidos Jack e Victoria, e o do especial Kirtash, tão maligno como atraente, também nós fazemos um caminho entre os seus livros. Os heróis, revela a autora, percebem que só eles podem forjar o seu destino. Aprendem a lutar, a perder, a reerguer-se, e nós, com eles, lendo-os, aprendemos que nada é afinal o que parece...


Círculo de Leitores online – O que é, onde fica, e como podemos chegar a Idhún?
Laura Gallego García – Idhún é um mundo de três sóis e três luas, um universo paralelo que no romance não parece estar muito longe de nós. Sabemos da sua existência no primeiro livro, mas é a partir do segundo que entramos, em pleno, nesse outro mundo.

CLonline – E a que lugares nos levam as aventuras desta trilogia?
LGG – Ao longo da história as personagens percorrem quase toda a geografia de Idhún. De Nanhai, a terra dos gigantes, ao deserto de Kash-Tar. Das torres de feitiçaria aos Oráculos, dos grandes bosques de fadas às cidades submarinas dos varu. Algumas das personagens são idhunitas, mas outros, como Jack e Victoria, nasceram na Terra e para eles Idhún é um mundo novo e diferente. Ao longo dos livros sucedem-se aliás os pontos de vista. Aquilo que é novo para Jack e Victoria é, ao mesmo tempo, o mundo habitual de Kirstash, Shail, Kimara e Sheziss – idhunitas de origem. E é graças a eles que sabemos mais sobre esse outro mundo.


Clonline – Permita-me que volte atrás. Como surgiu a escrita das «Memórias de Idhún»?
LGG – Tudo começou a partir de uma ideia: um pingente com uma estrela de seis pontas (ou uma estrela de David). Imaginei depois sóis e luas à sua volta. Daí surgiu a conjugação astral de Idhún: os dois triângulos formados (a partir dos três sóis e das três luas) fariam um hexágono que acabaria por se tornar o símbolo de Idhún aparecendo em todas as suas portas. Imaginei depois que a conjugação astral desse três sóis e três luas provocaria uma catástrofe: a morte dos dragões e dos unicórnios. Toda a história foi-se então desenvolvendo em torno da personagem que tinha em mente há vários anos, Jack. Pode dizer-se que construí a história para ele. Tinha 15 anos quando o imaginei pela primeira vez. Desde esse primeiro momento em que pensei em Jack, até à escrita das «Memórias de Idhún», passaram vários anos e durante todos esse tempo fui definindo Idhún e os outros protagonistas – primeiro Victoria, mais tarde Kirtash.

CLonline – Planeou toda a história antes de a escrever?
LGG – Gosto de dizer que escrever um romance é como completar um puzzle. As ideias são como peças que devem encaixar. Quando surge uma ideia tenho consciência de que essa é apenas a primeira peça, não a história. Depois ando às voltas com essa ideia durante um bom tempo (dias, meses, até anos) e vão surgindo outras ideias que encaixam na primeira. Quando sinto que amadureceu, anoto-a, faço um esquema dos capítulos, personagens, trama, sub-tramas... Só começo a escrever quando o esqueleto da história me é claro. Os detalhes surgem durante o processo de escrita, mas não improviso a estrutura.

CLonline – E porquê a estrutura de uma trilogia?
LGG – Porque quando comecei a imaginar, com 15 anos, o mundo de Idhún tinha a sensação de que todas as histórias de fantasia se desenvolviam em trilogias. Havia «O Senhor dos Anéis», as crónicas de «Dragonlance», «Senhor do Tempo», a «Guerra das Estrelas»... Com algumas excepções, quase todas as histórias de fantasia que gostava eram contadas em três partes. Para além disso, também a minha história tinha, inicialmente, três momentos (as duas primeiras partes teriam lugar na Terra, a terceira em Idhún). Mas quando, alguns anos depois, escrevi «Memórias de Idhún» a editora decidiu publicá-la num único volume («A Resistência»). Como entretanto me dei conta de tudo o que tinha ainda para dizer, e que não o podia fazer em apenas um volume, acabei por escrever a trilogia.

CLonline – As «Memórias de Idhún» bebem de um imaginário de aventuras, lendas, seres mitológicos e fantástico. Onde sente ter ido buscar essas fontes?
LGG – Desde pequena que me encanta a fantasia. Devorava literatura fantástica. Penso mesmo que li todos, ou quase todos, os grandes autores do género. É claro que tenho os meus favoritos, mas penso que no caso concreto de as «Memórias de Idhún» fui influenciada por autores como Michael Ende e Margaret Weis.

CLonline – E fez algum tipo de pesquisa para esta construção de imaginário?
LGG – Curiosamente, para a parte fantástica não. Penso que aprendi muito acerca de mitos e lendas ao longo da minha vida de leitora. Tive apenas de me documentar um pouco mais para descrever os cenários e locais reais.

CLonline – Como e quando começou a escrever?
LGG – Comecei a escrever com 11 anos. Gostava muito de ler, escrevia contos, e com 11 anos comecei a escrevinhar, com uma colega de turma, uma primeira novela. Terminei-a aos 14 e mesmo tendo ficado horrível sentia-me muito orgulhosa do meu primeiro livro. Por essa altura já sabia que queria ser escritora. Quando aos 21 anos publiquei «Finis Mundo» este era, na verdade, o décimo quarto romance que escrevia.

CLonline – A Laura Gallego García é formada em Filologia Hispânica e estudiosa do universo da literatura medieval. Como sente que se ligam esses dois mundos: o da investigação académica e da escrita literária?
LGG – Interligam-se. Na universidade pude entrar em contacto com os clássicos, aprendi a conhecer e dominar a língua. Creio por isso que tudo o que aprendi ao longo da minha carreira académica contribuiu para solidificar o meu mundo literário.

CLonline – O que está a escrever actualmente?
LGG – Actualmente estou a rever a terceira parte das «Memórias de Idhún», que sairá no fim do Verão em Espanha. Neste três últimos anos trabalhei intensamente na trilogia. Assim que terminar a promoção do livro vou seguramente descansar. Ainda não sei o que vou escrever depois disso. Tenho muitas ideias mas nenhuma concretizada. Mas estou certa de que não irei escrever uma nova saga, nem uma outra trilogia, nem a continuação duma história já editada. Quero experimentar uma novela mais curta, dentro do mesmo género fantástico, mas totalmente diferente de Idhún.

CLonline – Voltando a Idhún. Há uma expulsão desse mundo, uma deriva pelo mundo, e uma luta pelo regresso (a Idhún). Neste percurso, nesta viagem o que descobrem os protagonistas? E como os muda essa viagem?
LGG – Amadurecem, crescem, fazem-se adultos, assumem responsabilidades, constroem relações. Descobrem quem são e percebem que têm de encontrar um equilíbrio entre a sua parte humana e idhunita. Um equilíbrio mais difícil de atingir do que se poderia pensar. Por outro lado, ao explorarem Idhún eles conhecem um novo mundo, parecido em algumas coisas com o nosso, mas muito diferente noutras. E nem tudo é afinal o que parece, talvez não lhes tenham, por exemplo, contado a verdadeira história de Idhún.

CLonline – A dado momento Jack sente-se envolvido numa espécie de antiga, imemorável luta, como se fosse esse o seu destino. É a clássica luta entre o bem e o mal?
LGG - Isso seria simplificar a história. Pode parecer isso, podem querer que acreditemos que assim é, mas as suas aventuras vão para lá da clássica luta entre o bem e o mal. Tudo depende do ponto de vista.

Clonline – Queria que me falasse um pouco da ligação entre as três personagens: Jack, Victoria e Kirtash. O que os liga?
LGG – Como disse antes, Jack foi a primeira personagem da história. Creio que foi, na verdade, a primeira personagem que criei. Como a tinha em mente há muito tempo não consigo precisar em que me baseei para a criar, mas posso dizer que quando, aos 25 anos de idade, me sentei para escrever, Jack era já mais do que uma personagem, conhecia-o quase como a um amigo de verdade. A personagem seguinte foi Victoria. Ela é a “rapariga” da história, a melhor amiga do protagonista e a que, como em todas as histórias clássicas, acaba por ganhar o seu coração. Quanto a Kirtash... nasceu quando tinha mais ou menos 17 anos e era, também ele, uma personagem sem história, pelo que decidi introduzi-lo como “o malvado” em Idhún. Tornou-se assim o antagonista, aquele que tinha de ser derrotado para que Idhún fosse libertado. Mas Kirtash sempre teve um especial magnetismo pelo que, de repente, me confrontei com a surpresa de que a rapariga não podia deixar de se apaixonar por ele! Não pude também deixar de comparar Kirtash com uma serpente e através dessa associação surgiu, pouco a pouco, a raça dos Sheks – inimigos dos dragões. Quando dei por mim tinha não a história de um par destinado a salvar o Mundo Mágico, mas sim um triângulo. Nesse triângulo nem os bons são assim tão bons, nem os maus são assim tão maus, e nem mesmo a rapariga acabará necessariamente com o herói.

CLonline – Vou voltar a uma das primeiras perguntas. Se os heróis do livro fazem um percurso de descoberta, que percurso sente estar a proporcionar ao leitor?
LGG – Isso é pessoal, depende de cada leitor.

CLonline – Sente, por exemplo, que com o fenómeno de Harry Potter relançou um género juvenil de aventuras e magia?
LGG – Creio que a J.K. Rowling segue uma tradição pouco conhecida em Espanha, mas muito enraizada nos países anglo-saxónicos. O que Rowling proporcionou foi a revitalização de um género, não apenas no Reino Unido, mas em todo o mundo. A minha obra é anterior ao fenómeno Harry Potter. Há anos que trabalho nas «Memórias de Idhún» pelo que as minhas influências serão anteriores, embora seja verdade que o fenómeno Harry Potter abriu muitas portas para os autores do género fantástico.

Clonline – Sem revelar os mistérios da saga, podia, em traços gerais, dizer o que marca cada um dos dois livros, «A Resistência», «Tríade» e «Panteão»?
LGG – «A Resistência» desenrola-se na Terra e conta a história de um grupo de jovens que têm de lutar para libertar o seu mundo. Digamos que se centra mais no humano, as personagens crêem ainda ser humanos e comportam-se como tal. A «Tríade» centra-se, por sua vez, nas três personagens principais, Jack, Victoria e Kirtash, mas desenrola-se em Idhún onde existe um plano sobre-humano e semidivino. Ali eles começam a perceber que têm uma série de poderes que os separam do resto do mundo, o que os coloca na esfera dos heróis. Percebem que têm um destino a cumprir e debatem-se entre o querer e o dever. «Panteão», o terceiro livro, centrar-se-á numa esfera superior onde interferem os deuses de Idhún, aqueles que criam as profecias e manipulam o destino dos mortais. Volta-se contudo neste terceiro livro a Idhún fazendo uma breve passagem pela Terra. Ali os heróis habitam uma esfera inferior aos deuses e percebem que muitas coisas estão fora do seu alcance. Se no segundo livro têm de seguir as directrizes impostas por alguém mais poderoso, no terceiro livro não existe esse guiar dos heróis. Eles não sabem o que fazer nem como actuar, sabem que tudo depende deles, que têm uma missão a cumprir, mas não sabem o que fazer ou, pior, podem daí intuir que não há nada a fazer. Ora, reside aí a verdadeira responsabilidade. Enquanto no segundo livro têm de optar entre cumprir ou ignorar o seu destino, no terceiro percebem como pode ser aterrador não ter destino. Percebem que têm de o forjar – de forjar o seu próprio destino. Suponho que caminham assim em direcção à maturidade.

CLonline – Vou terminar com a lenda da Donzela de Awa. Sem querer mais uma vez revelar os segredos da trilogia, a lenda de Ayshel (semi mulher, semi feiticeira) conta como a aparente simplicidade de alguém pode afinal guardar a força da mudança. Qual é o verdadeiro poder dos heróis deste livro?
LGG – As emoções – a sua força reside nas suas emoções.

publicado por memoriasidhun às 14:48
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